DIA 4 – SEGUNDA-FEIRA, 17 DE FEVEREIRO DE 2010-02-18
Acordamos lá pelas 11 (pelo menos eu acordei neste horário), levemente satisfeitos por não termos tocado na noite anterior e nem ter jantado no “Restaurante Passarão”, do verbo “Passarão mal”. Em questão de minutos a Kombi maluca estava lá com seu motorista suicida e seu fiel escudeiro. Alguns segundos depois de entrarmos na Kombi, estávamos em Cuiabá, famintos e com os cabelos desgrenhados. Pegamos nossos Cubo Cards e fomos ao restaurante. Após o almoço (o único em três dias), fomos para a Casa Fora do Eixo. Rodrigo e Mari foram buscados por uma parente da chefe da Mari (acho que é isso) e foram para a casa da tal parente descansar, comer e tomar banho (parece que eles não descansaram). Eu e o Diogo ficamos lá persuadindo os Gobs a não irem tocar na Chapada. Assunto rapidamente resolvido pelo Dezan.
Depois de algum tempo de espera, houve uma reunião muito interessante (que não sabíamos que teria) com o pessoal da Cubo e de integrantes de bandas que estavam ali presentes naquele momento. Pessoas que eu me lembro na reunião: Pablo Capilé, Tales, Tiago Dezan, Kayapy, Yanaiã (será que é assim que se escrevem os nomes desses caras?), mais o pessoal das bandas. Falaram a respeito do Circuito Fora do Eixo, circulação das bandas, participação dos músicos nos coletivos, entre outros assuntos relacionados.
Após a reunião, entramos em uma van junto com o pessoal da banda RockTed, mais um integrante da banda Narcotic Love… Agora não me lembro, mas acho que tinha gente de mais bandas… A circulada em Cuiabá foi grande, hein!! Pararam para comer cookies, cookies esses que depois ganharam muitos adjetivos, como: cookie light, cookie gostoso, cookie murcho, cookie amassado, cookie largo, cookie brilha…
Bem, umas duas horas depois, eu e o Diogo fomos os últimos a serem entregues em um hotel. Só deu tempo de tomar um banho rápido, dar uma cochilada de 2 minutos e caçar algo para comer. Lá estava a van de volta para nos recolher.
Finalmente estávamos na Casa Fora do Eixo, quarta noite do Grito Rock. Tocaram, nessa ordem: Tellos (MT), Maria Cotovelo (DF), Evening (GO), Pé Rachado e Os Porra Loca (MT), Jennifer Magnética (MS), RockTed (RJ), Nrcotic Love (SP) e Veniversum (MT) . Gostei muito de Maria Cotovelo, banda instrumental muito competente que consegue algo muito difícil para uma banda instrumental: não ser chata, muito pelo contrário, legal pra cacete. Gostei também de RockTed, que levaram uma televisão que passava clipes sincronizados com a banda tocando. Narcotic Love também é bom. Trata-se de uma banda dançante composta por vocalista, baixista e notebook.
Fato inusitado enquanto tocávamos. Na última música, Atrá(z) do Muro, acabaou a energia bem no momento em que estávamos no refrão. No escuro, o Rodrigo continuou cantando o refrão e algumas pessoas começou a acompanha-lo, quando de repente, a energia volta subitamente e voltamos a tocar a música no mesmo ponto onde havíamos parado.
O clima geral da noite estava muito bom. Platéia participativa às vezes, atentas em outras vezes, mas nunca indiferente. Troca de informações e contato entre as bandas, boa organização.
Acabou a noite, chegou nossa van, tava com bastante fome, quando estava prestes a entrar no veículo o Ednan me pergunta:
- Ta com fome?
- Sim.
Ele então abre sua mochila, tira de dentro dela um bauru e me diz.
- Come aí.
Foi o bauru mais gostoso que já comi em minha vida. Depois ainda ganhei uma maçã de sobremesa.
DIA 5 – TERÇA-FEIRA, 18 DE FEVEREIRO DE 2010
Entrei na van e apaguei.
Acordei em Rondonópolis, fui ao banheiro, entrei na van e apaguei.
Acordei em Coxim, fui ao banheiro, comi um Misto Quente Frio (sim, este era o nome do sanduíche), entrei na van e apaguei. Será que não foi em Rondonópolis que eu comi o tal Misto Quente Frio?
Acordei em Campo Grande, apeamos na casa do Leco, o Ricardo buscou a gente, chovia pra caralho, cheguei em casa e apaguei.
Importante observar que, os poucos momentos de semi-inconsciencia durante esta viagem de vinda foi o suficiente para perceber que o Leco fez peraltices, chacotas, galhofas e fanfarronice durante a viagem inteira, enquanto os demais tentavam dormir. Aquele pelintra zombeteiro de uma figa! Além disso, tive a estranha sensação de que o Sílvio Santos estava conosco na van…
CONCLUSÕES:
- The Who é uma banda legal pra caramba, mas assistir dois DVDs seguidos dos caras faz você não querer saber de “My Generation” e “Pinball Wizard” por um bom tempo;
- As Kombis novas não têm mais cheiro de Kombi;
- Admiro muito o Marcel e o Elizeu por conviverem com o Leco;
- O Amapá tem um extenso litoral, no entanto, não possui nenhuma praia;
- O Misto Quente Frio na verdade é morno.
P.S.: Enquanto tudo isso acontecia, chovia.